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  1. Boneca Zarolha

    terça-feira, 16 de março de 2010

    Boneca Zarolha

    Era uma vez, numa loja de brinquedos, uma boneca que nasceu zarolha. Ficava exposta na mais alta prateleira, nenhuma menina a queria. Vivia triste. Via as outras bonecas serem escolhidas e levadas para casa em lindos pacotes enfeitados.
    Um dia, uma boneca de cabelos louros disse:

    - Sabe por que ninguém quer você? Por causa dos seus olhos. Eles são feios demais. Veja os meus – disse a convencida – são azuis, perfeitos, lindos de morrer. Logo serei levada por uma menina.

    A pobre zarolhinha chorou. Queria tanto ser escolhida, levada por alguém para fazer a felicidade de uma menina. Mas, não saía da prateleira.

    Um dia, já estava perto do Natal, o dono da loja resolveu colocar a boneca zarolha na vitrine repleta de outras bonecas. A loja encheu-se de crianças. Todos os brinquedos foram vendidos. Das bonecas sobraram duas: a pobrezinha da zarolha e a convencida de olhos azuis.

    O dono da loja pensou:

    - A outra tem chance de ser vendida, mas a zarolha não tem jeito, vou jogá-la no lixo. Ninguém quer esta boneca.

    Enquanto pensava no destino que daria à boneca, reparou num homem que parara diante da vitrine, empurrando uma cadeira de rodas onde estava sentada uma pequena menina. Ela apontava para a vitrine. O homem entrou, empurrando a cadeira e pediu:
    - Posso ver aquela boneca que está na vitrine?
    - Pois não, senhor. Qual das duas?
    - A que está à esquerda.

    Admirou-se, porém não disse nada. Abriu a vitrine e entregou a zarolha nas mãos do homem que a passou para a menina. Esta, emocionada disse:

    - Papai, ela é tão linda! Veja a graça dos cabelos, os braços roliços... as mãozinhas... Veja os pés... são tão mimosos! O vestido é uma beleza! A carinha é rosada, perfeita. Compra ela pra mim, papai.

    E o homem comprou, pagou e saiu empurrando a cadeira onde estava sentada a criança, levando um belo pacote no colo e, dentro dele, feliz estava a boneca zarolha.

    Moral: Os olhos da alma são capazes de ver a beleza que os olhos da cara não vêem.

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